Experiência real de campo

A Experiência do Trabalho de Campo na Escola EEB Honório Miranda em Gaspar (SC)

A prática do trabalho de campo desenvolvida na Escola de Educação Básica Escola de Educação Básica Honório Miranda teve como principal objetivo aproximar os educandos da realidade geográfica do município de Gaspar (SC), utilizando o espaço vivido como instrumento de investigação, análise e construção do conhecimento geográfico.

A atividade foi realizada com uma turma do 1º ano do Ensino Médio e estruturada a partir da metodologia do trabalho de campo, articulando teoria e prática por meio da observação da paisagem, da análise do espaço urbano e da investigação das dinâmicas socioambientais presentes no cotidiano dos estudantes.

O planejamento da atividade envolveu diversas etapas administrativas e pedagógicas, incluindo autorização da escola, documentação dos responsáveis e aprovação junto à Gerência Regional de Educação de Santa Catarina. Todo esse processo foi fundamental para garantir a organização, a segurança e o desenvolvimento adequado da prática pedagógica.

A proposta teve como foco principal a região central do município de Gaspar, permitindo aos estudantes analisar o próprio lugar em que vivem. A escolha do espaço estudado buscou demonstrar que a Geografia está presente no cotidiano, nas paisagens urbanas, nas áreas de risco, na mobilidade urbana, na organização territorial e nas transformações históricas da cidade.

Durante as aulas preparatórias, os estudantes participaram de atividades de pré-campo em sala de aula, nas quais foram trabalhados conceitos relacionados à urbanização, bacia hidrográfica do rio Itajaí-Açu, enchentes, ocupação urbana, áreas de risco, rugosidades urbanas e dinâmicas socioambientais do Vale do Itajaí.

As aulas foram desenvolvidas com o auxílio de diferentes recursos didáticos e tecnológicos, como mapas temáticos, fotografias históricas, imagens de satélite, Google Earth, Google Street View, vídeos, reportagens históricas e pesquisas em sites oficiais, possibilitando aos educandos compreender a formação territorial e os problemas socioambientais enfrentados pela cidade.

Um dos principais temas debatidos durante o processo foi a relação da cidade com o rio Itajaí-Açu, especialmente no que se refere às enchentes e à ocupação de áreas suscetíveis a alagamentos. A partir da análise de imagens históricas e relatos dos próprios estudantes, foi possível discutir como as transformações do espaço urbano influenciam diretamente os problemas socioambientais vivenciados pela população local.

Outro aspecto importante da proposta foi o uso de imagens históricas da cidade, permitindo comparar passado e presente e compreender as transformações da paisagem urbana. As atividades também possibilitaram discutir o conceito de rugosidade, desenvolvido por Milton Santos, evidenciando como construções antigas permanecem na paisagem urbana como marcas históricas do processo de formação da cidade.

A metodologia utilizada foi organizada em três etapas fundamentais:

  • Pré-campo
  • Campo
  • Pós-campo

Na etapa de pré-campo, os estudantes tiveram contato com os conteúdos teóricos e participaram da construção do caderno de campo, material utilizado durante a atividade externa para registros, observações e anotações.

O trabalho de campo também possibilitou a valorização do conhecimento e das experiências dos próprios educandos, especialmente quando relataram situações relacionadas às enchentes e aos problemas enfrentados em seus bairros. Dessa forma, o ensino de Geografia aproximou o conhecimento científico da realidade vivida pelos estudantes, fortalecendo o pensamento crítico e a compreensão do espaço geográfico.

Além do trabalho presencial, também foi organizada uma proposta de trabalho de campo virtual, utilizando ferramentas como Google Maps, Google Earth e Google Street View, permitindo que os estudantes observassem e analisassem os locais estudados de maneira remota.

A experiência demonstrou que o trabalho de campo é uma importante metodologia para o ensino de Geografia, pois amplia a participação dos estudantes, desperta o olhar investigativo e fortalece a relação entre teoria, prática e realidade local. A atividade também evidenciou a importância do planejamento, da organização e do uso de diferentes recursos pedagógicos no desenvolvimento de práticas educativas mais significativas e contextualizadas.

Registro do trabalho de campo

Registro visual do Rio Itajaí-Açu, destacando a dinâmica de suas margens, a mata ciliar e as serras ao fundo 

Contexto do Trabalho de Campo de Geografia

A atividade foi realizada com estudantes do Ensino Médio em área próxima ao rio Rio Itajaí-Açu, com o objetivo de analisar a relação entre elementos naturais e a ocupação humana no espaço urbano.

O que foi observado

  • A partir da imagem e da observação em campo, foi possível identificar:
  • Presença de um rio de grande porte, com águas turvas.
  • Formação de uma pequena ilha fluvial (depósito de sedimentos)
  • Margens com cobertura vegetal significativa em alguns trechos.
  • Ocupação humana em áreas próximas ao rio.
  • Relevo com presença de morros e encostas ao fundo

Análise geográfica

  • A paisagem evidencia a dinâmica natural do rio, especialmente o transporte de sedimentos, que contribui para a formação de ilhas fluviais.
  • Ao mesmo tempo, observa-se a ocupação humana próxima às margens, o que pode representar riscos, como:
  • Enchentes
  • Processos erosivos
  • Supressão da mata ciliar
  • Essa configuração revela a interação entre sociedade e natureza, destacando como a ação humana modifica o espaço geográfico e, ao mesmo tempo, está sujeita aos processos naturais.

 

Problematização

  • A ocupação das margens respeita as áreas de preservação permanente?
  • Quais impactos ambientais podem ocorrer nessa área?
  • Como o rio influencia a organização da cidade?
  • Quais grupos sociais são mais vulneráveis em caso de enchentes?

 

Sugestão de atividade

  • Elaboração de um relatório de campo com:
  • Descrição da paisagem
  • Identificação dos elementos naturais e humanos
  • Análise crítica sobre os impactos observados
  • Desenho de um croqui da paisagem
  • Fazer uma foto depois analisar geograficamente.

Ocupação de encostas e riscos socioambientais em Gaspar

Contexto da imagem feita no trabalho de Campo 

A atividade foi realizada com estudantes do 1º ano do Ensino Médio em área urbana com presença de relevo acidentado, com o objetivo de analisar a ocupação de encostas e os riscos associados à urbanização.

O que foi observado

 A partir da paisagem registrada, os estudantes podem identificar:

 Ocupação residencial em áreas de encosta

 Presença de vegetação em diferentes níveis de conservação

 Cortes no relevo para construção de moradias

 Proximidade entre áreas urbanizadas e vegetação natural

 Infraestrutura urbana (ruas, edificações, comércio)

Análise geográfica

A imagem evidencia a ocupação de áreas com declividade acentuada, característica comum em cidades do Vale do Itajaí.

Esse tipo de ocupação está associado a:

  • Pressão por espaço urbano.
  • Expansão desordenada.
  • Valorização de determinadas áreas.

Ao mesmo tempo, essa configuração pode gerar riscos, como:

  • Deslizamentos de terra.
  • Instabilidade do solo.
  • Supressão da vegetação natural.

A paisagem revela, portanto, a relação direta entre a dinâmica natural do relevo e as decisões humanas de uso e ocupação do solo.

Problematização

Por que as encostas são ocupadas?

Essa ocupação é planejada ou espontânea?

Quais riscos estão envolvidos nesse tipo de uso do solo?

Quem geralmente ocupa essas áreas?

Há políticas públicas voltadas para essas regiões?

Possibilidades pedagógicas

Essa experiência permite trabalhar:

  • Relevo e ocupação humana.
  • Áreas de risco.
  • Urbanização.
  • Impactos ambientais.
  • Planejamento urbano.

Sugestão de atividade

Produção de um relatório de campo com:

  • Descrição da paisagem.
  • Identificação dos elementos naturais e humanos.
  • Análise dos riscos socioambientais.
  • Propostas de solução.

Reflexão final

A ocupação de encostas evidência como a organização do espaço urbano nem sempre ocorre de forma planejada, resultando em situações de risco que afetam diretamente a população.